Apenas um a caminhar na escuridão, a visão nunca foi o sentido mais fiel e é por isso que o tato é o mais seguro entre os demais; Com as pontas dos dedos procuro por uma pilastra ou parede, algo que garanta sustentação em meio ao longo corredor envolto pelo manto da escura mortalha noturna. Finalmente sustentado pela parede encontrada, percebe-se quão tolo fostes em alguns momentos, os olhos que não ajudam em meio as trevas se fecham; Fechados eles conseguem ver com maior precisão. Viajar no passado é uma ideia refutada por Hawking, entretanto a viagem torna-se possível se realizada em sua própria lembrança. É ali, em meio ao caminho escuro, com as mãos apoiadas e os olhos fechados, que a visão dos erros é nítida. Imposições de opinião, palavras vagas ou falsas ditas para agradar, engolir a verdade por receio, engolir os sentimentos por medo, cuspir verdades por raiva, fingir e vários outros verbos de conjugação similar aplicados erroneamente. A viagem ocorre no pretérito, seja no perfeito ou mais-que-perfeito, mas a principal pertence ao imperfeito, ações não concluídas em regra são as que causam o maior efeito reflexivo.
As paredes caem e sua sustentação é cortada, sozinho envolto em trevas, sonhos e desejos a flor da pele, incertezas e culpas impregnadas no pensar e sonhar, a agonia do abandono e a mágoa da decepção, raros são os sorrisos sendo estes construídos no mais puro escárnio. Comportamentos padronizados e robotizados, preferem a superficialidade ao invés da sinceridade, pois ser sincero é sinônimo de falsidade. São valores distorcidos e por eles devemos nos desculpar, ajoelharmos e orar por perdão, ferimos e somos feridos com a lança do injusto capital e insensível fantasma da sociedade.
Apenas, perdoe-me por ser exatamente como querem que eu seja, perdoe-me por ser filho de pais desconhecidos e criado por uma tela falante desconexa, perdoe-me pela zombaria e mal dizer sobre sua aparência ou preferência, perdoe-me ó pai imaterial e paradoxal, perdoe-me ó pai onipotente e onisciente e finalmente, perdoe-me ó criador do capitalismo selvagem, pois para ir ao teu reino ó pai, preciso dar meu dinheiro ao pastor e a tua obra... Faça-me o favor, use vossa onipotência para criar um bocado de dinheiro ó pai, pois aqui em meu mundo, o dinheiro é a chave da felicidade.
A luz ascende, o caminho era simples reta, a antiga parede ou pilar era apenas um pequeno filete de muro, os olhos por fim abrem-se para ver os novos tempos, tempos sem imposições sociais ou religiosas, sem podar o real espírito e essência individual. A utopia de More não difere em conceito, pois em lugar algum existe lucides, infelizmente ainda não.
omg. sem mais palavras o_o