Então, Nada?

- E no fim, nada.

Disse a imponente voz, descrente e supostamente onisciente, respaldada na mais orgulhosa das razões, perdida em seus conceitos erguidos em falha e frustração.

Pobre do dono desta voz, aprisionado as complexas razões, com olhos fechados para as próprias emoções, afastando com as mãos os seus mais próximos. Não existe razão capaz de explicar tudo,

O emissor não difere-se do receptor, assim ambos incapazes de autocompreender-se...

Assim caminhamos, sem respostas e sem compreensão, assim somos nós. Filhos perdidos, crianças desamparadas em busca de autoafirmação ausentes de compaixão e caridade, falsos e cruéis. Assim somos pois escolhemos nos desculpar com o argumento falho de sobrevivência, rogamos pragas na suposta selva de pedra, assustamo-nos ao ver nossas criações devorar nossos similares.

São criações cujo ego estufa-se ao primeiro toque, os dedos pobres apontam enquanto os lábios pútridos sorriem e debocham de um alvo despreparado. Enquanto os desesperados e temerosos escondem-se ao redor dessas aberrações, rindo de um igual e impondo-se a necessidade de ser diferente, simples seres aprisionados em suas personas, dançando entre intrigas e subornos.

Não consuma seu tempo na construção de um personagem apresentável, pois o pouco tempo que lhe é dado não é da vossa propriedade e a persona que construirá servirá apenas aos olhos daqueles que pouco se importam. Nós temos apenas um poder, a escolha. Não existe pergunta ou razão capaz de sobrepor-se à uma escolha, não existe nenhum ser capaz de controlar a escolha de um ser, a escolha é a forma perfeita e imutável de alguém. Manipulada apenas se assim for ordenada, dominada se assim for permitida, mas nunca inútil ou inexistente.

Faça das suas escolhas as razões da sua existência, por no fim, haverá de ter algo.

(Desculpe por qualquer erro de digitação, esse texto é apenas uma representação de uma inspiração corriqueira e sem revisão alguma.)

2 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Gostei dos seus textos...

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