Contos Distópicos: Liberdade


São três passos básicos para a criação de um ser humano; Mantenha-o na escola dês da sua infância e o ensine que a educação é a única maneira de tornar-se importante. Em seguida, em sua juventude diga que a faculdade é indispensável para qualquer um e se o mesmo não a fizer será algo ruim. Por fim, mostre ao mesmo o quão importante é ter dinheiro, acreditar em Deus, detestar política e amar futebol.

Mas ocorrem pequenos erros, coisas insignificantes e capazes de causar efeitos catastróficos. Como não garantir o acesso a uma educação ou um ambiente saudável para abrigar e instruir o ser durante a infância. Afinal isso é insignificante, o ser violento tem uma condição genética favorável a violência e deve pagar pelos atos que comete, sendo trancado, preso, torturado, humilhado e morto. Proporcionar ao mesmo condições saudáveis e ausente de abusos e humilhações durante seu desenvolvimento seria o suficiente para evitar a geração de um cidadão “violento”. Mas os problemas não terminam nessa questão, os jovens pressionados pela necessidade do lucro e pelos exemplos de vidas que absorveram durante toda a infância, assistindo TV ou aos próprios pais, são atirados em uma faculdade qualquer com o único intuito de obter lucro e no fim tornar-se mais rico, ao menos mais rico que seus pais foram. Concluindo o emaranhado de problemas que obstruem a aplicação simples e direta da fórmula da criação da condição humana, temos a intolerância notável presente nos ensinos religiosos, familiares e culturais. Um grupo por algum motivo estritamente pessoal, no auge das próprias ambições, começa a considerar um outro grupo como seu rival e o transforma em seu inimigo. Assim fazem os católicos, assim fazem os evangélicos, assim fazem os muçulmanos, assim fazem todos aqueles que acreditam e pregam a palavra de qualquer deus ou entidade com poderes divinos. A politica é passada a nós como algo desinteressante e enfadonho, nenhuma instituição de ensino primário se importa em explicar para os alunos os direitos e deveres de um cidadão. A constituição permanece como um livro arcaico, usado por burgueses retrógrados, sendo funcional apenas para seus similares ou para uma parcela ínfima de toda uma população.

Em vista de tantos fatores, como podemos nos considerar uma sociedade livre? Livres para sermos manipulados e regidos por regras e costumes criados por corporações extremamente lucrativas. Veja quantos dogmas, de origens diversas, com intuitos idênticos de controlar e igualar todo o “rebanho” do pastor, cuja fala é capaz de coagir, sendo essa construída em bases sólidas e naturalmente torpes. A liberdade individual é transformada em esquisitices, insanidade, algo que precisa ser taxado, amarrado e destruído. Essa é a sociedade livre?

Somos livres para odiar e repudiar um ser da mesma espécie pelo simplório motivo do mesmo ser oriundo de uma região diferente; Considerar outro ser como inferior apenas pela “cor” ou credo; Depreciar e excluir todo ser que possui costumes e opiniões contrárias, chegando ao ponto de matar e destruir em nome das suas supostas “ideias verdadeiras”. Não vivemos em uma sociedade livre, a liberdade nos foi tirada no momento em que nossos antepassados decidiram lucrar ao invés de conviver, consumir ao invés de aprender, construir ao invés de compreender.

3 comentários:

  1. João P. disse...:

    mas danto, construir também é necessário. desde que com compreensão (última linha). bom texto.

  1. Anônimo disse...:

    sim é necessário, mas nunca é feito da forma que deveria ser. E isso torna "o construir" em algo completamente destrutivo para os demais.
    (danto com preguiça de logar no blogger)

  1. Anônimo disse...:

    Meus pensamentos foram retirados da minha mente e colocados aqui?!

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