Contos Distópicos (II) - Solidão

Destruindo uma imagem uniforme, arremessar uma pequena e esférica rocha contra uma superfície sutilmente espelhada. Essa construída por cima de certos conceitos e atitudes repetitivas e viciosas, alguns cometem o erro de considerar isso como sólido ou consistente.  

São sensações constantes, sensações que afastam o sono e atraem com maior intensidade uma vontade de escrever. Pois é com a escrita que consigo criar algum tipo de comunicação, pois a fala, já foi esquecida, ou já me trouxe tantas péssimas situações que hoje não a desenvolvo de modo eficiente.

Vejo em minha volta pessoas a sorriem, pessoas a se abraçarem a conseguirem compartilhar seus sentimentos e sonhos. Vejo a felicidade na face dessas e sinto o quão distante estou de alcançar coisas parecidas...

Por inúmeras vezes recebi elogios, coisas como; Você é muito inteligente. Eu lhes pergunto, de que vale uma inteligencia, de que vale construir conceitos, de que vale ler e refletir sobre tudo, quando a solidão é sua única e fiel companheira?!

A rocha toca essa superfície, espalhando todos os pequenos e frágeis fragmentos transparentes. Antes aquelas expressões e frases agressivas e muitas vezes intolerantes, se transformam em algo mais triste, inoperante e tolerante. Inevitavelmente não é mais exatamente o que era, a face, a mascara foi partida pela imensa quantidade de pedras arremessadas, algumas sem sua culpa outras envoltas em seus próprios erros.

Anseio pela oportunidade de voltar a falar, expressar o choro amordaçado a garganta... Aguardo, e continuarei a aguardar o fim dessa constante solidão. Amigos antigos se foram, paixões antigas não lembram o meu nome, amigos recentes tornaram-se distantes, melhores amigos hoje são simples conhecidos, paixões atuais fracassam e não são correspondidas...não os culpo, não me culpo, mas assim é.

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